Líderes da Oposição e do Governo divergem sobre números da violência no Estado

Em 05/02/2019 - 20:02
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Reunião Plenária - Dep Marco Aurélio Meu Amigo

CRÍTICA – Marco Aurélio Meu Amigo questionou índices e parâmetros de comparação utilizados pelo governador Paulo Câmara em discurso na Alepe. Foto: Jarbas Araújo

A situação da segurança pública em Pernambuco pautou os discursos proferidos pelos líderes da Oposição e do Governo na Reunião Plenária desta terça (5). Em nome dos oposicionistas, Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB) questionou os índices e os parâmetros de comparação utilizados pelo governador Paulo Câmara na mensagem lida, nessa segunda (4), durante a Reunião de Instalação da 19ª Legislatura na Alepe. O líder do Governo, deputado Isaltino Nascimento (PSB), destacou os investimentos que o Estado direcionou à área nos últimos anos e os resultados já alcançados.

Primeiro a tratar do tema, o integrante do PRTB criticou a decisão do governador de comparar os números de crimes violentos letais intencionais (CVLIs) praticados em Pernambuco em 2018 com os registrados em 2017. O parlamentar ressaltou que, apesar de o recorte feito pelo gestor mostrar uma redução de 23,3% nas ocorrências, o ano de 2018 teve índices de violência superiores aos identificados no final do governo de Eduardo Campos (2014), antecessor de Câmara.

“O governador compara 2018 com 2017, ano em que o Estado assinalou o maior número de homicídios de toda a década. Por que ele não faz o comparativo usando como referência o início de sua gestão?”, indagou. “Porque ele não conseguiu fazer o dever de Casa e manter os índices alcançados na época de Eduardo Campos”, emendou o deputado, elogiando o trabalho desenvolvido pelo ex-governador.

Marco Aurélio Meu Amigo garantiu que a Oposição estará atenta ao tema da segurança pública, fiscalizando e sugerindo ações que contribuam com a redução da criminalidade no Estado. Os deputados Antônio Coelho (DEM), João Paulo Costa (Avante), William Brígido (PRB) e Priscila Krause (DEM), membros da bancada, fizeram apartes em apoio ao líder.

“Uma oposição competente engrandece o Parlamento”, afirmou Coelho. “Os últimos quatro anos de Paulo Câmara registraram 33% mais assassinatos do que o segundo governo de Eduardo Campos. Por isso, a segurança pública será prioridade na pauta da bancada”, acrescentou Costa. “O Governo há de entender que a Oposição existe para fortalecer o Estado”, enfatizou Brígido. “Temos o compromisso de representar uma grande parcela da população que não escolheu Paulo Câmara”, disse Krause.

Reunião Plenária - Dep Isaltino Nascimento

DEFESA – Isaltino Nascimento destacou investimentos feitos pelo Estado na área de segurança pública nos últimos anos e os resultados alcançados. Foto: Jarbas Araújo

O líder do Governo, deputado Isaltino Nascimento, também abordou o tema em pronunciamento no Plenário. Ele afirmou que a atual gestão estadual fez a maior contratação da história da segurança pública – mais de quatro mil profissionais – e investiu cerca de R$ 5 bilhões no setor em 2018.

O socialista detalhou os dados referentes aos CVLIs ocorridos em 2018. “Na questão do latrocínio, nós tivemos uma diminuição de 48% no ano passado, em  relação a 2017. Em 92 municípios, não houve nenhum homicídio registrado. Só na Capital, foram 191 vítimas a menos do que em 2017.”

Em aparte, o deputado Delegado Erick Lessa (PP) endossou a fala de Nascimento. “Conheço um pouco a história dos números do Pacto pela Vida. Fui gestor do programa por mais de seis anos. É certo que 2017 foi um ano muito difícil para a área de segurança pública, mas a queda de 23% nos homicídios em 2018 é significativa. São quase mil vítimas a menos, em razão do trabalho incessante dos profissionais da área”, observou, frisando que o percentual de redução em Caruaru (Agreste) alcançou 35%. “Quase cem vidas poupadas.”

Os deputados Waldemar Borges (PSB), João Paulo (PCdoB) e Tony Gel (MDB) também fizeram considerações durante o discurso do líder do Governo. O socialista afirmou que Paulo Câmara “enfrentou a maior crise que o País viveu nas últimas décadas e garantiu que Pernambuco continuasse no rumo”. O comunista salientou que é preciso atacar as causas sociais da violência: miséria, desemprego, falta de saneamento, de habitação e de acesso à cultura. “O cerne do problema é a acumulação de poder e renda nas mãos de poucos”, acrescentou. O emedebista fez um apelo para que os assuntos “sejam debatidos no melhor nível e todos os companheiros, respeitados pelo que representam”.