Morte de Marielle Franco gera discussão no Plenário sobre racismo e combate às drogas

Em 19/03/2018 - 18:03
-A A+

EDILSON SILVA – “Marielle foi morta porque era uma mulher negra, favelada e lésbica, que se tornou intelectual e enfrentava diretamente os poderosos.” Foto: Roberto Soares

A assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, na última quarta (14), voltou a repercutir na Reunião Plenária desta segunda (19). Edilson Silva (PSOL) apontou a existência de racismo tanto na escolha da vereadora como vítima do crime quanto nas calúnias e ofensas dirigidas a ela, após a sua morte, nas redes sociais. Já o deputado Rodrigo Novaes (PSD) considerou que o assassinato de Marielle deve levar a uma rediscussão sobre a política de repressão às drogas.

“Marielle foi morta, da maneira como foi, porque era uma mulher negra. Por que, de todos os parlamentares do PSOL no Rio de Janeiro, só ela foi vítima de intolerância? Porque era negra, favelada e lésbica, que se tornou intelectual e vereadora e enfrentava diretamente os poderosos”, considerou Edilson Silva, que era amigo de Marielle Franco. “O racismo, do qual eu também já fui vítima, acha que nós fomos longe demais. Já escutei algumas vezes, inclusive como deputado: ‘quem esse negrinho pensa que é?”, relatou.

“A sociedade brasileira está no limite, e por isso respondeu à morte de Marielle com manifestações em grandes, médias e pequenas cidades do Brasil e do exterior”, destacou Silva. “Foi por ela ter se tornado um símbolo que se iniciou uma campanha sórdida e covarde contra ela após a sua morte, com grupos racistas e fascistas divulgando calúnias nas redes sociais, dizendo que ela era esposa de traficante”, apontou.

“Estão tentando matar Marielle pela segunda vez, mas felizmente estamos conseguindo mostrar a verdadeira luta dessa companheira nas redes sociais. Ela estava na linha de frente contra o extermínio da juventude negra e na oposição à intervenção militar no Rio”, comentou Edilson Silva. Por fim, o deputado ainda fez um convite para uma celebração ecumênica em memória de Marielle Franco, que ocorrerá nesta terça (20), na Praça da Independência, no Centro do Recife, às 17h.

RODRIGO NOVAES – “A mudança de enfoque em relação ao consumo de entorpecentes evitará muitas mortes.” Foto: Roberto Soares

Guerra às drogas Uma das bandeiras de Marielle Franco, o fim da criminalização do uso de drogas foi apoiado por Rodrigo Novaes em seu discurso. Para ele, a indignação pela morte da vereadora deve ir além das redes sociais e fazer a sociedade rediscutir a política atual sobre o tema.

“Tudo leva a crer que bandidos ou milicianos tiraram a vida de uma jovem aguerrida, porque defendia suas convicções com coragem e ousadia”, comentou. “E ao falar de crime, devo falar de drogas. Perdemos a guerra, ponto final. E nunca venceríamos mesmo, porque eventualmente, o juiz, o político ou o promotor que condena o uso de drogas é aquele que chega em casa e fuma maconha”, declarou o parlamentar.

“Não dá mais para conviver com milícias e crime organizado dando as cartas, e a sociedade mergulhada na hipocrisia, fingindo não participar do problema. Melhor admitirmos que a nossa sociedade é assim e preparar os profissionais da saúde para ajudar as pessoas que precisam de tratamento”, avaliou.

Para Rodrigo Novaes, a mudança de enfoque em relação ao consumo de entorpecentes “evitará muitas mortes, porque uma dívida só irá trazer um nome negativado no cadastro de devedores e não uma bala na testa”. O deputado defendeu, ainda, que a Comissão de Justiça da Assembleia promova um seminário sobre as possibilidades de mudança nas políticas sobre drogas.